Parto humanizado

PARTO

O que é parto Humanizado?

O termo clichê já possui várias interpretações e facilmente é utilizado por pessoas marketeiras para vender uma imagem falsa e ilusória de assistência. A humanização do parto está além da música ambiente, da baixa luminosidade na sala de parto, da sala  de parto em si (a famosa Delivery ou LDR – Labor Delivery Room). Quando a busca pela humanização acontece, um movimento de mudanças acompanha a gestante, o casal, a família.
Humanizar é devolver o protagonismo à parturiente. É compreender que a assistência é feita de forma a dividir as responsabilidades. Por isso “mudança”! Crescemos acostumados a não questionar as condutas médicas, a entregarmos nossos corpos à medicina tradicional, a super medicalizá-los e a tratarmos a gestação como um período de crise do corpo. Quando decidimos "tomar pra si" a responsabilidade que devemos ter, certamente nos permeamos de certos medos, dúvidas e incertezas. No entanto, quanto mais pesquisamos, mas compreendemos a necessidade dessa mudança e o valor que ela agrega.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda em sua cartilha a adoção de práticas seguras pautadas em evidências científicas que desmistificam a prática rotineira arcaica - mas ainda muito habitual.

No parto:

  • Decisões tomadas conjuntamente entre equipe e parturiente/casal, nunca impostas como única via
  • Não realização de tricotomia (raspagem dos pêlos púbicos). Se a gestante tem por hábito a realização da depilação, ela o fará.
  • Não realização do enema (lavagem intestinal)
  • Incentivo à realização do Plano de Parto – documento escrito pela gestante onde descreve o que deseja e o que não deseja durante seu trabalho de parto, parto e nascimento de seu filho.
  • Ausculta intermitente do BCF (batimento cardíaco fetal) e não contínuo durante todo o trabalho de parto.
  • Liberdade para caminhar e se movimentar à vontade.
  • Liberdade  para usar a água como método não farmacológico de alívio da dor (chuveiro ou banheira) o quanto seja desejado.
  • Liberdade de escolha do acompanhante de parto, bem como o incentivo e respeito à presença da doula para o suporte físico e emocional.
  • Respeito à condição biopsicossocial da parturiente, compreendendo-a como um ser formado por corpo físico, emocional e traumas oriundos de sua vida e meio social.
  • Ambiente calmo, com pouca luz, temperatura agradável e se desejado, música ambiente que geralmente é escolhida pela parturiente.
  • Respeito à privacidade do casal.
  • Não realização da episiotomia de rotina (corte feito entre a vagina e o ânus).
  • Não realização da amniotomia de rotina (rompimento artificial da bolsa).

No nascimento:

  • Logo após o nascimento, ainda com o cordão umbilical ligado à mãe, o bebê é colocado em contato pele a pele para se manter aquecido.
  • O cordão umbilical é mantido ligado até que pare de pulsar para oferecer ao bebê maior aporte de células vermelhas (hemácias) e portanto, de Ferro.
  • Incentivo à amamentação desde a primeira hora de vida.
  • Nota de Apgar é dada sem a necessidade de se retirar o bebê do colo de sua mãe
  • Demais exames do recém-nascido são realizados após o período de contato pele a pele e mamada, na presença do acompanhante (geralmente o pai) e com tranquilidade e respeito ao RN.
  • Aspiração nasogástrica só é realizada em casos de bebês com dificuldades respiratórias e necessidade de reanimação, nunca é realizada de rotina.
  • Realização do colírio de Nitrato de Prata (Credé) somente se o casal optar, que pode ser evitado coletando-se uma cultura de secreção vaginal para pesquisa de Neisseria gonorrhoeae  no pré-natal.
  • Administração da vitamina K por via oral ao invés de intra-muscular, se assim desejado.
  • Alojamento conjunto durante todo o período de internação hospitalar.
  • Não administração de leites artificiais ou glicose sem prévio consentimento.
  • Diminuição do período de observação no Berçário para o mínimo necessário (protocolo da instituição) se houver condições dos pais ficarem com o bebê no quarto.
  • Banho do recém-nascido adiado pelo menos por 6 horas para a absorção do vernix caseoso e prevenção de hipotermia.
  • O banho pode ser dado no quarto, pelos pais, ao invés de ser dado no berçário pela enfermagem.
  • Uso da Fototerapia somente nos casos de real necessidade

Parto Domiciliar

Antes de mais nada: sim, o parto domiciliar é seguro!
Longe da imagem de uma senhorinha que vai à sua casa com sua experiência, um macinho de ervas em uma das mãos e o terço na outra, as parteiras contemporâneas [obstetrizes e enfermeiras obstétricas] levam uma super bagagem para o atendimento ao parto em domicílio. Além disso,
sobre o mito da "contaminação", pense bem: O que é mais seguro para seu bebê: as bactérias da sua casa, na qual você tem imunidade e transmitirá os anticorpos através do leite materno, ou as bactérias multi-resistentes do ambiente hospitalar? Os materiais estéreis os são tanto em casa como no hospital (materiais para cortar o cordão, para suturar [costurar]  uma possível laceração perineal), mas a cama, os lençóis, a maçaneta da porta, da torneira, o chão, o berço... esses continuam sendo meios de cultura, inevitavelmente. Nesse caso, melhor que sejam "os nossos", não é mesmo?\

Essa opção é viável à qualquer gestante de baixo risco.
Algumas parteiras realizam o atendimento sozinhas ou com a presença de uma doula. Outras, no entanto, preferem o atendimento em dupla (duas parteiras), visando mais tranquilidade na assistência logo após o nascimento. Assim, uma parteira foca na puérpera (mãe) e a outra no recém-nascido.
Na bagagem das parteiras existem aparatos para possíveis emergências, tanto da mãe quanto do bebê, muito embora quanto mais natural o parto, menores as chances de se necessitar intervenções. Durante o trabalho de parto a equipe acompanha de perto a evolução e qualquer indício de que algo saiu do padrão de normalidade, uma transferência ao hospital acontecerá. Sempre haverá um plano B!
A doula e o neonatologista também podem compor a equipe e com isso oferecer todo suporte físico, emocional e psicológico necessários à parturiente e ao casal. A configuração da equipe é definida de acordo com a necessidade do que se acredita cada família.
A opção pelo parto domiciliar está ligada ao desejo de um parto natural sem intervenções, sem a separação da mãe ao bebê por nenhum momento, por se acreditar na seguridade desse evento, pelo desejo de privacidade e de silêncio. Os profissionais que os atenderão devem ser escolhidos por sua experiência, capacitação e constante atualização.
Frequentemente casais acabam decidindo pelo parto domiciliar depois de se informarem melhor sobre sua prática e  de conversarem com outros casais que vivenciaram essa experiência única e transformadora! Não há forma mais protagonizadora de parir do que no próprio ninho!

Leia mais: Equipe, os papéis de cada um

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Ana Paula Garbulho Obstetriz & Consultoria em Amamentação


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